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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

#minimalismo #destralhe #desafio #projeto333 #planner #leveza

Mariah a chata do minimalismo. Sou eu!!
E nas segundas-feiras ainda estou dividindo com vocês essa aventura que tem sido me reencontrar  como pessoa e me rever em questões de consumo, tomar ações que entrem em sintonia com os cuidados que eu prego em relação a um modo de vida que seja harmonioso entre discurso e ação.
Tem sido um momento de autoconhecimento. Nunca fui o tipo de pessoa que consegue meditar, mas tem sido uma contemplação viver esse momento de descoberta do simples. Por ironia ou não, em 99% dos meus textos, sejam eles de qualquer categoria, eu falo do simples, da riqueza do simples, da grandeza do simples, da leveza do simples.
Então bora lá falar, não de tekpix; mas de Projeto 333!
Esse projeto é um desafio criado pela Courtney Carver e ao meu ver, ele é a forma mais didática de você entender sua relação com a sua roupa e com o seu consumo. Eu sei que ainda estamos falando sobre roupas, destralhe de roupas, roupas e roupas e roupas e um estilo de vida real não esta baseado apenas nisso. Mas, se você parar para  pensar com honestidade, vai observar que a relação que temos com nossas roupas são um reflexo de como olhamos mundo, de nos enxergarmos como pessoas e de como queremos ser vistos Nossa sociedade é capitalista e somos educados para consumir, consumir, consumir. Perdemos o limite e entramos no modo automático de comprar tudo o que vemos pela frente, nos entupimos de coisas para saciar uma necessidade que sequer sabemos do que é.
Por isso, eu aceitei a ideia do desafio. Eu já disse que uma grande referência, para mim, foi a Luana Burigo do canal Simplease. Lá eu tirei mil duvidas e entendi os conceitos que tanto me assustavam, e lá, também, ouvi falar da Viviane Torquato, do armário cápsula e do planner que ela criou para que tudo isso faça mais sentido.
Bora falar disso?!
O projeto 333 consiste na escolha de 33 peças do seu guarda roupa, inclusos sapatos e acessórios, para usar durante 3 meses; apenas essas peças! O resto fica guardado longe dos olhos, mas pode deixar perto do coração. Nada é obrigatório, pois a ideia é que seja uma referência para que (digo novamente), você entenda qual sua relação com essa coisa toda. Pode fazer troca, pode mudar de ideia, pode escolher mais peças, menos peças... O que não entra nas 33: roupas de ginástica, lingeries, roupas de usar em casa e roupas de dormir.
Eu amei a ideia!
Com esse projeto exercitamos nossa forma de nos ver, nossa criatividade, pois as combinações deverão ser variadas e nossa real necessidade de comprar tanto. Eu baixei o planner da Viviane, o que me deu um norte para seguir adiante (mostro no próximo texto), e separei minha primeira capsula.
Eu já tinha reduzido meu guarda-roupa a 30% do seu total. Fiquei com o que eu gosto, realmente uso e fico confortável. E para minha primeira capsula, eu escolhi:
- 14 blusas
- 3 saias
- 5 vestidos
- 3 calças (2 jeans e 1 social)
- 3 bermudas
- 4 pares de sapatos (2 scarpins e 2 sapatilhas)
O que não coloquei: acessórios (uso sempre os mesmos), e 3 cardigans que uso somente no trabalho, como um uniforme. Meu desafio vai de novembro/17 a fevereiro/18. Será que eu consigo??
No próximo texto vou mostrar meu planner, meus objetivos e falar mais sobre como tem sido minha vida levando dessa forma onde, realmente, o menos é mais.

Beijos Azuis.

Por Mariah Alcântara.
Para saber mais clica aqui!!


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Destralhe, minimalismo, roupas demais, método de organização, sentimentos.

Vamos de novo falar do novo?!
Continuando a série sobre o minimalismo que me cabe, hoje vou contar como foi o destralhe das minhas roupas, como me senti antes, durante e depois. Por que temos tantas coisas? Por que guardamos tantas coisas? Por que temos coisas que não nos servem? Por que??
Nunca tive essa resposta... Sempre gostei demais de roupas, sapatos, bolsas, acessórios, maquiagens... sempre. E sempre tive demais de tudo isso. Como já disse, anteriormente, minha vida oscilou muito nos últimos dez anos. As trajetórias de consumo, depressão, acumulação, mais consumo, refazer tudo e consumir tudo de novo, presentes com valor sentimental, mais consumo... isso virou minha rotina. 
O resultado foram roupas e roupas, algumas que não me servem mais, sapatos e bolsas e tudo o mais, coisas que estragaram sem nunca, sequer, terem sido abertas. Isso pesava dentro de mim, me incomodava, mas ao mesmo tempo não podia me desfazer daquilo.
Aí apareceu o minimalismo e eu me muni de coragem. 
Antes do minimalismo eu estava lendo livros sobre organização. Embora minha casa esteja devidamente organizada há mais de um ano, eu ainda precisa otimizar as coisas e os espaços que, como já disse, são bem pequenos. E me lancei numa busca por técnicas de organização e dei de cara com a Marie Kondo e o método KonMari. Devorei tudo o que ela ensinava e amei, mas... não usei no meu destralhe.
Marie Kondo indica que para um destralhe efetivo você precisa retirar TUDO do seu guarda-roupa, por exemplo, e colocar no mesmo lugar. Inviável pra mim. Passei anos sem usar minha cama devido ao acumulo de roupas que dormia sobre ela em tempo integral. Então jogar tudo lá seria ativar um gatilho que estava bem domado. Optei por seguir em partes. É importante que ao adotar um estilo de vida novo, você consiga conviver com ele sem agressões. Não vale de violentar em prol de fazer a mudança, pois devido a essa violência, ela pode não ser efetiva. 
E lá fui eu, parte a parte do meu guarda-roupa; primeiro me senti estranha, ficava um tempo olhando para as peças e tentando entender se aquela peça era importante pra mim, se eu gostava dela, se eu a usaria, se ela me deixava confortável. Algumas peças, nunca usadas, ficaram horas numa pilha que nomeie de "tem duvida mesmo?". E eu senti doer! No meio do processo me senti ansiosa, nesse momento eu tinha quatro grandes seções: as roupas que ficam (já de volta ao seu lugar), as roupas que vão para doação, as roupas que vão para o brechó, as roupas que não sei e as roupas que eram "tem duvida mesmo?". Tomei o cuidado de dobrar as roupas, mesmo as que não queria, para que eu pudesse ver bem tudo o que havia ali. Num dado momento me senti muito ansiosa e decidi que se eu tinha duvida, aquelas roupas não deveriam ficar, pois se eu as amasse, não teria dúvida.
Terminado essa parte, mandei embora a primeira sacola de roupas na mesma noite. Separei em uma mala o que vai para o brechó e o resto separei numa pilha gigante que minha mãe vai levar para a igreja dela e usar no bazar. Abri meus armários e gavetas no final de tudo e senti ALIVIO, LEVEZA.
Essa foi a minha impressão de uma vida minimalista!
Uso cores, muitas cores, não sou só do branco, bege e preto. Tenho mais 50 peça de roupas, li em algum lugar que um rapaz minimalista tem menos de 30 peças entre roupas, cuecas, sapatos e acessórios. Meu estilo de vida não exige tanto nem tão pouco, o que entendi como equilíbrio me serviu bem. O que ficou são peças usuais, práticas, confortáveis e que me representam bem.
Indico a leitura da Marie Kondo, indico dar uma olhada nos documentários sobre minimalismo que tem no Netflix e youtube, vídeo e fóruns. 
Lembre-se que o minimalismo é um estilo de vida e é livre!
Conhecer-se e saber-se é a diferença naquilo que somos!

Beijos azuis.

Por Mariah Alcântara.
Para saber mais clica aqui!!




segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Mudanças, reencontro, minimalismo, percepções, dúvidas, ação.

Eu nem sei bem por onde começar esse texto. Estou, certamente, ansiosa em ser o mais clara possível e tentar dividir as coisas mostrando-as de forma real.
Há alguns anos eu sofri uma depressão intensa e, ao contrário do que pensam, depressão não é o oposto de alegria, pois quem me visse poderia jurar que eu não estava triste e muitas vezes eu não estava triste mesmo. Para mim, a depressão foi a falta de ação.
Eu transitei entre consumismo compulsivo, acumulação e a completa apatia para a vida. Logo, meu espaço, já pequeno, ficou muito menor, inabitável; tudo estava ocupado, por roupas, sapatos, bolsas, livros, revistas, utensílios de casa, móveis... tudo em excesso. Em excesso para o que eu precisava, em excesso para o que o espaço comportava.
Após um momento de reação, consegui organizar as coisas e me desfazer de tudo o que não me servia, ou eu não queria mais. Não se iluda, caro leitor, achando que é o tipo de ação fácil, pois não é mesmo...
Passado um ano dessa reação, eu olhei em volta e em nada lembrava o espaço de um anos antes; mas eu sentia necessidade de aliviar mais ainda "o fardo". Eu ainda tinha excessos para todos os lados. Ainda era soterrada por roupas quando abria a porta do meu guarda-roupas, ainda tinha muito de tudo. Sentia o excesso, mas não sabia como aliviar.
Um dia ouvi falar de minimalismo. Fiquei curiosa com a proposta e decidi conversar com algumas pessoas sobre o assunto. Que ideia péssima eu tive. Recebi uma série de informações equivocas, algumas com boa vontade, mas sem conhecimento mesmo.
Enfim, desisti!
Achei complicado demais, caro demais, cheio de frescurinhas demais. Não, aquilo não era pra mim! Daí veio a internet. Bingo! Um dia passeando pelo Youtube, encontrei um canal com esse vídeo aqui.
CARAMBA!!!!!!Era tudo o que tinham me dito, tudinho mesmo, só que me disseram como regras do minimalismo.
Com esse vídeo as coisas foram mudando e eu voltei a me interessar pelo assunto e fazer o que deveria ter feito desde o começo: Pesquisar! Fiquei muito satisfeita com minhas pesquisas e entendendo que o minimalismo é um estilo de vida e é livre, optei por adota-lo!
O meu primeiro passo foi o destralhe. Não posso dizer do choque que fiquei quando me dei conta da quantidade, ABSURDA, de coisas que eu tinha. E, o pior, de coisas que eu não usava, que não me serviam. Me dei conta, mais ainda, que era necessário parar e repensar minha forma de viver. Meu discurso de consumo consciente, de cuidados com o planeta, de simplicidade e leveza, estavam completamente fora das minhas ações, por pouco não eram opostos.
Da primeira vez que fiz o destralhe (que contei lá em cima, no começo do texto), não foi consciente, foi só uma reação, quase instintiva, de "sobrevivência" da minha lucidez. Dessa vez não, eu tenho total consciência do que estou fazendo e observando todas as coisas e a mim mesma.
E, amores, eu tenho muita história pra contar!
Semana que vem vou contar do destralhe das roupas (sempre o começo de tudo) e como isso mexe com a gente de uma forma mais profunda do que pensa nossa vã filosofia.

Beijos azuis.

Por Mariah Alcântara.
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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Conte e me conte




Se lhe pedirem para escolher na aritmética uma operação para chegar ao numero 6 você somaria, multiplicaria, subtrairia ou dividiria?
Para você o que importa é a operação feita ou o resultado?
Agora imagine que neste momento você chegou ao fim de sua vida.
E você tem uma unica oportunidade de deixar um resumo de quem você foi, mas sua lembrança só será capaz de resgatar seus últimos 60 segundos de vida.
Comece a contar, sua vida se resume a fazer as conta ou fazer de conta?
_Keila Almeida_

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Metamorfa

Então abriu os olhos de novo.
Não aqueles olhos que viam o mundo de dentro para fora, mas os olhos que a viam de verdade.
Olhos para olhar de dentro para dentro.
Era a hora de encarar-se com certeza.
Não essas certezas prontas, mas as certezas que constroem a alma.
Ela estava se sentindo sufocada há muito tempo.
Vida presa, atada, incerta, pressionada.
Mas apenas uma prisão lhe segurava; a liberdade!
Abriu bem os olhos para contemplar a face que a encarava, a face que ela era mesma.
Sim, era preciso avançar, era preciso dar mais um passo.
Eram tantos os seus desejos.
O tempo urgia em seus ouvidos, seus poros, seus sentidos.
Era preciso avançar.
E ela apressou o passo. Era a hora a certa de se encontrar.
Domina-la, era impossível.
Obriga-la, uma fatalidade.
Nada lhe aborrecia mais e era sabido que isso corroía seu existir, era sabido que ela acumulava...
Ela guardava, guardava, guardava... até a hora de explodir.
Explodia em vida e em cores, sorria seu sacarmos ao mundo.
Mundo esse que estava rendido aos seus pés,
Não tinha volta, ela sabia que o tempo estava gastando os sentires.
Era palpável e desfazia, tudo ia escapar por entre os dedos. Aceitou.
A vida é feita de recomeços!


Por Mariah Alcântara.
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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As risadas na Cozinha

O dia amanhaceu silencioso, tranquilo, após uma noite com lágrimas no travesseiro e muitos pensamentos pelo ar. Dentro daquele silêncio me recordei das risadas na cozinha.

Família reunida após as noites de Natal, de aniversários, de feijoadas aos sábados. Primos correndo pela casa, as mulheres reunidas cozinhando, requentando a comida de ontem, os homens ao redor com suas bebidas ou não.

Um dia pela manhã se preparando para irmos a praia, após a praia, colocando as coisas na geladeira.

Copos sobre a mesa, espalhados pela casa, lembranças de qualquer momento, compartilhadas alí. Almas nuas numa noite de sexta feira, transbordando de afetividade, regadas de vinho, lágrimas e verdades, daquelas que não temos coragem de confessar nem para nós mesmas.

Encontros que seria de amigos e acaba sendo consigo, com o mundo, com o outro e tantas formas que vamos escrevendo novas histórias sem uma ponta de lápis sequer.

Histórias que se cruzam, se enlaçam, finalizam e a bebida que desce quadrada. O comentário que foi mal recebido, mesmo quando a intenção era dizer: estamos aqui para você! Então aprende se que boas intenções não devem ser desenhadas, devem ser declaradas, escancaradas, ditas sem rodeios, como as críticas.

Tudo pronto para a nova festa, para o dejejum especial, após um banho gelado numa tarde quente de primavera (e até o chuveiro escolheu a hora certa para queimar), o almoço pronto no domingo e a sala de jantar é esquecida, as risadas tomam contam e se está contagiante alí, para que mudar de lugar?

Alí nos servimos de amor, de compaixão, de fraternidade, igualdade , de comida que alimenta o corpo, mas de tudo que alimenta a alma. Juntar as panelas, os pratos, as mãos, entender e ver que felicidade é tão simples, é só questão de ser.

Sim, o mundo poderia parar nesse  momento, mas não o fez. O lugar agora está vazio, como é bom ter pessoas mesmo com o local vazio, como é bom saber que estão por toda parte e o som das risadas ainda está la, preenchendo o meu coração que está sempre preparado para o próximo encontro.

Por Renata Gomes


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A Liberdade tem vários sabores

Durante o colegial (que hoje conhecemos como Ensino Médio) fui transferida para o horário noturno pela própria escola e precisei ir até lá para pedir a minha transferência para o vespertino, já que minha concentração e rendimento para o estudo é infinitamente melhor pela manhã. Fui sozinha, quando estava na secretaria senti o sabor distante ainda do amadurecimento, afinal, era uma escolha e eu estava indo lá dizer para eles, sem que minha mãe precisasse fazer isso. Eles me ouviram, acreditaram em mim e mesmo menor de idade consegui, mas precisaria da assinatura da minha mãe para apresentar no primeiro dia de aula. Amadurecendo sim, adulta não.
Durante a adolescência é uma confusão de sentimentos mesmo, porque estamos "grandinhos" para algumas coisas mas precisamos ser submissos a tantas outras. Isso piora aos 17 anos simplesmente porque, de fato, não somos mais crianças e falta tão pouco para a maioridade (coitados dos adultos responsáveis por seres com essa idade, rs).
Quando chega os 18 anos dá pra perceber que a maioridade das coisas que acreditávamos ser ou fazer ainda não serão possíveis, a menos que seus pais banquem isso, mas não vai soar como independência, o que acreditávamos ser imediato como um passe de mágicas...durmo adolescente, acordo independente, dirigindo, com um carro na garagem, chefe de uma empresa, presidente de uma ONG, morando sozinha, em um apartamento em Nova York. Como disse, a menos que seus pais banquem suas escolhas, não é bem assim que a "banda toca".
Então, já trabalhando, dá pra imaginar que agora sim se é adulto de verdade e vem seu primeiro salário e tudo que se quer é gastar em chocolates, lanches, doces, bijuterias , chocolate, maquiagem, chocolate e ir ao litoral com os amigos sem nenhum "adulto de verdade" por perto. Adulto de verdade, como se desse pra ser adulto de mentira.
Depois de alguns anos ao sair de casa, ter que escolher e pagar os móveis, preparar os almoços e jantares, ainda há esperança de que uma hora a vida adulta chega e quando ela chegar, ninguém me seguraaaa. E o gosto da liberdade muda de acordo com a sua vontade do dia, a hora do dia e dias da semana.
Delicioso é o sabor de acordar quando o corpo desperta, em uma manhã fria de domingo e não sair da cama, até que...bom, até que a fome aperte desesperadamente como se estivesse dois dias sem comer nada e o sabor de escolher o que se quer comer é uma delicia também, mas saber que é você que vai ter que preparar e isso pode demorar, faz você levantar correndo e encontrar a primeira padaria mais próxima e comer a primeira coisa que estiver pronta ao alcance de suas mãos.
Com o tempo a casa já não é mais a mesma, precisa de reforma e vêm um dos maiores desafios do Ser Adulto: lidar pacientemente com o pedreiro (só sabe o que estou dizendo quem já passou por isso). Se o profissional é ruim, pensamos mil vezes se dispensamos, ele começou a obra o ideal é que terminasse e concertasse o que fez, outro profissional da mesma área poderá consertar, mas pode custar o dobro do orçamento e o dobro é salgado. Se o profissional é bom, ele falta as vezes, abandona sua obra três dias seguidos sem aviso prévio e assim, o que era programado para acontecer em 15 dias durará 30 e lá se foram suas férias.
Quando a obra termina é tão maravilhoso que isso merece um almoço para comemorar com aqueles que amamos então fazer um frango assado é a certeza, sem sombra de dúvidas (se é que dúvida têm sombra) de que você é mesmo um adulto. Imaginam algo mais adulto do que limpar, temperar e assar um frango, depois tirar a forma do forno, colocar batatas e coloca lo no forno novamente com papel alumínio, cronometrar o tempo e ainda preparar a salada enquanto o macarrão já está no escorredor? Afinal quem fazia isso a pouco tempo atrás (e parece que foi ontem) era sua avó, sua mãe, sua madrinha ou aquela tia querida que fazia questão de fazer o mesmo cardápio todas as vezes porque sabia que era o seu predileto.
É nesse momento da pra imaginar que a qualquer momento o correiro irá entregar uma carteirinha com uma carta dizendo:

Parabéns, a partir de agora você é um ótimo adulto. Todas as suas experiências serão coerentes, diferentes das fases, infantil e adolescente.
Você é nosso cliente especial e terá milhares de direitos por isso, incluindo a liberdade de amar quem quiser, ter ou não filhos, casar se ou não, escolher o emprego que te faz feliz e com salário justo.
Aperte os sintos e tenha uma ótima viagem!

Atenciosamente,
Vida Adulta!

Sinto muito em dizer, mas isso não irá acontecer. Simplesmente porque ser adulto não é uma viagem, é fato que não mudará mais. Diferente das outras fases, ser adulto não passa!
Realmente há coisas que o tempo leva,mas há coisas que só o tempo trás. E os sabores da liberdade são tantos, nem sempre doce, nem sempre salgado. E só sabemos disso na prática mesmo, porque cada paladar sentirá de uma forma.
As cobranças virão e nem sempre são coerentes para o momento, pois as experiências que vivemos nos arremete tantas vezes aquela criança que fomos, aquela adolescência que sorri quase gritando, aos medos, aos sonhos que tínhamos e hoje nem são mais os mesmos ou são. O que muda mesmo é a responsabilidade que se espera que um adulto tenha, mas que tipo de adulto somos depende demais de tudo que fomos ao decorrer da vida. Não há como desmembrar a pessoa dela mesma.
Também não há como definir tudo comonse tivéssemos um "script" porque não tem mesmo um roteiro de como ser um adulto.
Todas as correspondências que recebemos nos lembram mensalmente que somos responsáveis agora por nós e muitas vezes por outras pessoas.
Espero que seja ou tenha alguém que alivia o fardo de outrem de vez em quando e se eu pudesse enviar uma carta para os adultos, seria:

Parabéns, a partir de agora, pela lei do País você é um adulto. Essa uma fase de evolução contínua e não há saída, você irá crescer e crescer as vezes dói, como os ossos doíam na fase de crescimento, crescer dói. Desejo que seja só as vezes mesmo.
Haverá momentos difíceis sim, mas lembre se, existem muitas coisas boas nessa nova etapa da vida e uma delas é se conhecer melhor, dar ouvidos para si e seus sonhos e não apenas para os fantasmas que ficaram, das experiências anteriores.
Muitas vezes ainda chorará como criança, se apaixonará como adolescente e desejará imensamente não ter que acordar as 5h00 da manhã. Outras vezes irá entender que das 00h00 as 06h00 não necessariamente é feita para dormir e saberá porque se manter acordado.
A partir de agora também começará a entender algumas músicas do Renato Russo, Raul Seixas e Cazuza, mas principalmente saberá que não entenderá todas as coisas, não saberá de todas as coisas e que "de médico e louco, todo mundo tem um pouco".
Inevitavelmente agirá como os adultos que foram responsáveis por você, dirá muitas frases e iguais, inclusive!
Nossos ídolos continuarão os mesmos, melhorando em alguns aspectos.
Está livre para dançar, pular de paraquedas, viajar e conhecer os lugares do seus sonhos, mas para isso o ideal é trabalhar e não será pouco.
Entenda que quando a situação apertar não adianta espernear, quem irá decidir e resolver é você mesma (o).
Se coloque no colo, durma algumas horas e o que parecia insolúvel começa a encontrar caminhos para ficar ou ir, sempre depende da ocasião.
A partir desse momento a sociedade te julgará ainda mais por qualquer bandeira que levantar e se não levantar também. Lembre se de não tentar agradar la por todo tempo, isso te levará a depressão profunda.
Amar livremente é uma luta, estudar e ganhar bem será mais que necessário, será "status" e quando se reunir com algumas pessoas, elas vão querer saber o que você conquistou.
A vida têm continuidade após os 30 anos, não precisa se suicidar, poderá realizar muitos sonhos após essa idade. Particularmente, depois dos 30 é que o sabor da Liberdade muda para melhor.
Se achar que não suporta sozinho, procure um profissional espezializado na sua necessidade, ou uma amiga, amigo, alguém que possa tirar você dessa loucura de ser quem é, te mostrar que da sim para ser quem é e não enlouquecer.
Existirá coisas que saberá como agir apenas quando acontecer, antes disso, no máximo imaginará, porém será em vão porque o outro não têm o seu "scripts".
No final da vida (espero que seja longa) tudo o que faz falta não será o que conquistou materialmente (e olha que isso é faz diferença para boa qualidade de vida), que o importante não é essêncial. Dê valor ao que é essêncial. Saúde é essêncial, risada é essêncial, crença é essêncial (disse crença e não religião) e ele, o amor, ele é essêncial, cura dores, transforma ambientes, faz e te faz essêncial.
Que essa jornada te seja tal qual você a torna.

Atenciosamente,

Renata Gomes