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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Conte e me conte




Se lhe pedirem para escolher na aritmética uma operação para chegar ao numero 6 você somaria, multiplicaria, subtrairia ou dividiria?
Para você o que importa é a operação feita ou o resultado?
Agora imagine que neste momento você chegou ao fim de sua vida.
E você tem uma unica oportunidade de deixar um resumo de quem você foi, mas sua lembrança só será capaz de resgatar seus últimos 60 segundos de vida.
Comece a contar, sua vida se resume a fazer as conta ou fazer de conta?
_Keila Almeida_

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Metamorfa

Então abriu os olhos de novo.
Não aqueles olhos que viam o mundo de dentro para fora, mas os olhos que a viam de verdade.
Olhos para olhar de dentro para dentro.
Era a hora de encarar-se com certeza.
Não essas certezas prontas, mas as certezas que constroem a alma.
Ela estava se sentindo sufocada há muito tempo.
Vida presa, atada, incerta, pressionada.
Mas apenas uma prisão lhe segurava; a liberdade!
Abriu bem os olhos para contemplar a face que a encarava, a face que ela era mesma.
Sim, era preciso avançar, era preciso dar mais um passo.
Eram tantos os seus desejos.
O tempo urgia em seus ouvidos, seus poros, seus sentidos.
Era preciso avançar.
E ela apressou o passo. Era a hora a certa de se encontrar.
Domina-la, era impossível.
Obriga-la, uma fatalidade.
Nada lhe aborrecia mais e era sabido que isso corroía seu existir, era sabido que ela acumulava...
Ela guardava, guardava, guardava... até a hora de explodir.
Explodia em vida e em cores, sorria seu sacarmos ao mundo.
Mundo esse que estava rendido aos seus pés,
Não tinha volta, ela sabia que o tempo estava gastando os sentires.
Era palpável e desfazia, tudo ia escapar por entre os dedos. Aceitou.
A vida é feita de recomeços!


Por Mariah Alcântara.
Siga aqui.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As risadas na Cozinha

O dia amanhaceu silencioso, tranquilo, após uma noite com lágrimas no travesseiro e muitos pensamentos pelo ar. Dentro daquele silêncio me recordei das risadas na cozinha.

Família reunida após as noites de Natal, de aniversários, de feijoadas aos sábados. Primos correndo pela casa, as mulheres reunidas cozinhando, requentando a comida de ontem, os homens ao redor com suas bebidas ou não.

Um dia pela manhã se preparando para irmos a praia, após a praia, colocando as coisas na geladeira.

Copos sobre a mesa, espalhados pela casa, lembranças de qualquer momento, compartilhadas alí. Almas nuas numa noite de sexta feira, transbordando de afetividade, regadas de vinho, lágrimas e verdades, daquelas que não temos coragem de confessar nem para nós mesmas.

Encontros que seria de amigos e acaba sendo consigo, com o mundo, com o outro e tantas formas que vamos escrevendo novas histórias sem uma ponta de lápis sequer.

Histórias que se cruzam, se enlaçam, finalizam e a bebida que desce quadrada. O comentário que foi mal recebido, mesmo quando a intenção era dizer: estamos aqui para você! Então aprende se que boas intenções não devem ser desenhadas, devem ser declaradas, escancaradas, ditas sem rodeios, como as críticas.

Tudo pronto para a nova festa, para o dejejum especial, após um banho gelado numa tarde quente de primavera (e até o chuveiro escolheu a hora certa para queimar), o almoço pronto no domingo e a sala de jantar é esquecida, as risadas tomam contam e se está contagiante alí, para que mudar de lugar?

Alí nos servimos de amor, de compaixão, de fraternidade, igualdade , de comida que alimenta o corpo, mas de tudo que alimenta a alma. Juntar as panelas, os pratos, as mãos, entender e ver que felicidade é tão simples, é só questão de ser.

Sim, o mundo poderia parar nesse  momento, mas não o fez. O lugar agora está vazio, como é bom ter pessoas mesmo com o local vazio, como é bom saber que estão por toda parte e o som das risadas ainda está la, preenchendo o meu coração que está sempre preparado para o próximo encontro.

Por Renata Gomes


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A Liberdade tem vários sabores

Durante o colegial (que hoje conhecemos como Ensino Médio) fui transferida para o horário noturno pela própria escola e precisei ir até lá para pedir a minha transferência para o vespertino, já que minha concentração e rendimento para o estudo é infinitamente melhor pela manhã. Fui sozinha, quando estava na secretaria senti o sabor distante ainda do amadurecimento, afinal, era uma escolha e eu estava indo lá dizer para eles, sem que minha mãe precisasse fazer isso. Eles me ouviram, acreditaram em mim e mesmo menor de idade consegui, mas precisaria da assinatura da minha mãe para apresentar no primeiro dia de aula. Amadurecendo sim, adulta não.
Durante a adolescência é uma confusão de sentimentos mesmo, porque estamos "grandinhos" para algumas coisas mas precisamos ser submissos a tantas outras. Isso piora aos 17 anos simplesmente porque, de fato, não somos mais crianças e falta tão pouco para a maioridade (coitados dos adultos responsáveis por seres com essa idade, rs).
Quando chega os 18 anos dá pra perceber que a maioridade das coisas que acreditávamos ser ou fazer ainda não serão possíveis, a menos que seus pais banquem isso, mas não vai soar como independência, o que acreditávamos ser imediato como um passe de mágicas...durmo adolescente, acordo independente, dirigindo, com um carro na garagem, chefe de uma empresa, presidente de uma ONG, morando sozinha, em um apartamento em Nova York. Como disse, a menos que seus pais banquem suas escolhas, não é bem assim que a "banda toca".
Então, já trabalhando, dá pra imaginar que agora sim se é adulto de verdade e vem seu primeiro salário e tudo que se quer é gastar em chocolates, lanches, doces, bijuterias , chocolate, maquiagem, chocolate e ir ao litoral com os amigos sem nenhum "adulto de verdade" por perto. Adulto de verdade, como se desse pra ser adulto de mentira.
Depois de alguns anos ao sair de casa, ter que escolher e pagar os móveis, preparar os almoços e jantares, ainda há esperança de que uma hora a vida adulta chega e quando ela chegar, ninguém me seguraaaa. E o gosto da liberdade muda de acordo com a sua vontade do dia, a hora do dia e dias da semana.
Delicioso é o sabor de acordar quando o corpo desperta, em uma manhã fria de domingo e não sair da cama, até que...bom, até que a fome aperte desesperadamente como se estivesse dois dias sem comer nada e o sabor de escolher o que se quer comer é uma delicia também, mas saber que é você que vai ter que preparar e isso pode demorar, faz você levantar correndo e encontrar a primeira padaria mais próxima e comer a primeira coisa que estiver pronta ao alcance de suas mãos.
Com o tempo a casa já não é mais a mesma, precisa de reforma e vêm um dos maiores desafios do Ser Adulto: lidar pacientemente com o pedreiro (só sabe o que estou dizendo quem já passou por isso). Se o profissional é ruim, pensamos mil vezes se dispensamos, ele começou a obra o ideal é que terminasse e concertasse o que fez, outro profissional da mesma área poderá consertar, mas pode custar o dobro do orçamento e o dobro é salgado. Se o profissional é bom, ele falta as vezes, abandona sua obra três dias seguidos sem aviso prévio e assim, o que era programado para acontecer em 15 dias durará 30 e lá se foram suas férias.
Quando a obra termina é tão maravilhoso que isso merece um almoço para comemorar com aqueles que amamos então fazer um frango assado é a certeza, sem sombra de dúvidas (se é que dúvida têm sombra) de que você é mesmo um adulto. Imaginam algo mais adulto do que limpar, temperar e assar um frango, depois tirar a forma do forno, colocar batatas e coloca lo no forno novamente com papel alumínio, cronometrar o tempo e ainda preparar a salada enquanto o macarrão já está no escorredor? Afinal quem fazia isso a pouco tempo atrás (e parece que foi ontem) era sua avó, sua mãe, sua madrinha ou aquela tia querida que fazia questão de fazer o mesmo cardápio todas as vezes porque sabia que era o seu predileto.
É nesse momento da pra imaginar que a qualquer momento o correiro irá entregar uma carteirinha com uma carta dizendo:

Parabéns, a partir de agora você é um ótimo adulto. Todas as suas experiências serão coerentes, diferentes das fases, infantil e adolescente.
Você é nosso cliente especial e terá milhares de direitos por isso, incluindo a liberdade de amar quem quiser, ter ou não filhos, casar se ou não, escolher o emprego que te faz feliz e com salário justo.
Aperte os sintos e tenha uma ótima viagem!

Atenciosamente,
Vida Adulta!

Sinto muito em dizer, mas isso não irá acontecer. Simplesmente porque ser adulto não é uma viagem, é fato que não mudará mais. Diferente das outras fases, ser adulto não passa!
Realmente há coisas que o tempo leva,mas há coisas que só o tempo trás. E os sabores da liberdade são tantos, nem sempre doce, nem sempre salgado. E só sabemos disso na prática mesmo, porque cada paladar sentirá de uma forma.
As cobranças virão e nem sempre são coerentes para o momento, pois as experiências que vivemos nos arremete tantas vezes aquela criança que fomos, aquela adolescência que sorri quase gritando, aos medos, aos sonhos que tínhamos e hoje nem são mais os mesmos ou são. O que muda mesmo é a responsabilidade que se espera que um adulto tenha, mas que tipo de adulto somos depende demais de tudo que fomos ao decorrer da vida. Não há como desmembrar a pessoa dela mesma.
Também não há como definir tudo comonse tivéssemos um "script" porque não tem mesmo um roteiro de como ser um adulto.
Todas as correspondências que recebemos nos lembram mensalmente que somos responsáveis agora por nós e muitas vezes por outras pessoas.
Espero que seja ou tenha alguém que alivia o fardo de outrem de vez em quando e se eu pudesse enviar uma carta para os adultos, seria:

Parabéns, a partir de agora, pela lei do País você é um adulto. Essa uma fase de evolução contínua e não há saída, você irá crescer e crescer as vezes dói, como os ossos doíam na fase de crescimento, crescer dói. Desejo que seja só as vezes mesmo.
Haverá momentos difíceis sim, mas lembre se, existem muitas coisas boas nessa nova etapa da vida e uma delas é se conhecer melhor, dar ouvidos para si e seus sonhos e não apenas para os fantasmas que ficaram, das experiências anteriores.
Muitas vezes ainda chorará como criança, se apaixonará como adolescente e desejará imensamente não ter que acordar as 5h00 da manhã. Outras vezes irá entender que das 00h00 as 06h00 não necessariamente é feita para dormir e saberá porque se manter acordado.
A partir de agora também começará a entender algumas músicas do Renato Russo, Raul Seixas e Cazuza, mas principalmente saberá que não entenderá todas as coisas, não saberá de todas as coisas e que "de médico e louco, todo mundo tem um pouco".
Inevitavelmente agirá como os adultos que foram responsáveis por você, dirá muitas frases e iguais, inclusive!
Nossos ídolos continuarão os mesmos, melhorando em alguns aspectos.
Está livre para dançar, pular de paraquedas, viajar e conhecer os lugares do seus sonhos, mas para isso o ideal é trabalhar e não será pouco.
Entenda que quando a situação apertar não adianta espernear, quem irá decidir e resolver é você mesma (o).
Se coloque no colo, durma algumas horas e o que parecia insolúvel começa a encontrar caminhos para ficar ou ir, sempre depende da ocasião.
A partir desse momento a sociedade te julgará ainda mais por qualquer bandeira que levantar e se não levantar também. Lembre se de não tentar agradar la por todo tempo, isso te levará a depressão profunda.
Amar livremente é uma luta, estudar e ganhar bem será mais que necessário, será "status" e quando se reunir com algumas pessoas, elas vão querer saber o que você conquistou.
A vida têm continuidade após os 30 anos, não precisa se suicidar, poderá realizar muitos sonhos após essa idade. Particularmente, depois dos 30 é que o sabor da Liberdade muda para melhor.
Se achar que não suporta sozinho, procure um profissional espezializado na sua necessidade, ou uma amiga, amigo, alguém que possa tirar você dessa loucura de ser quem é, te mostrar que da sim para ser quem é e não enlouquecer.
Existirá coisas que saberá como agir apenas quando acontecer, antes disso, no máximo imaginará, porém será em vão porque o outro não têm o seu "scripts".
No final da vida (espero que seja longa) tudo o que faz falta não será o que conquistou materialmente (e olha que isso é faz diferença para boa qualidade de vida), que o importante não é essêncial. Dê valor ao que é essêncial. Saúde é essêncial, risada é essêncial, crença é essêncial (disse crença e não religião) e ele, o amor, ele é essêncial, cura dores, transforma ambientes, faz e te faz essêncial.
Que essa jornada te seja tal qual você a torna.

Atenciosamente,

Renata Gomes

quinta-feira, 24 de agosto de 2017






Hoje ela acordou assim.

Fatal!

Veneno é para os fracos. Ela gosta do frescor, do tato, do cheiro e sabor.

O Sangue que jorra e transborda.

Fantasio louca a cada gota, como se fosse os lábios dela a sugar sem dó.

Satisfazendo sua alma vampira e seu corpo ardente.

Para combinar com aqueles lábios que hoje estão proibidos.

Em sua boca está presente, aquele maldito, mais que bendito tom de batom vermelho.


_Keila Almeida_

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

E se ... ?




Quantas vezes a vida nos deparamos com esta questão?

Se fosse diferente?

Se mudasse?

Se dissesse sim ,  se dissesse não?

Arrependimentos.

Angústias.

Alegrias.

Momentos ínesquecíveis.

Saudades.

- Eu acho que já estive aqui!

- Sonhei com esse momento, tenho certeza!

E se o que chamamos não existir fim somente recomeços?

Quantas vezes será preciso para seguir em frente?

E SE ...

E S ...

SER?

_ Keila Almeida _


Filme - THE DISCOVERY - (recomendo)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Aqui anda minha vã filosofia.

Por vezes a gente carrega dores e angústias e nem mesmo percebe que estão lá.
Aquela voz que fica presa na garganta, a sensação do que faltou dizer...  
É como quando rompe uma relação, ou quando rompe um sentimento que parecia eterno dentro da gente. 
Promessas não cumpridas, distâncias necessárias, palavras mal ditas e silêncios mal interpretados.
Seres complexos, que somos, sempre deixamos faltar um verbo, um ato, um sentimento.
Mas quando mesmo a gente se percebe?
Nosso hábito está em enxergar o outro, principalmente naquilo que achamos que lhe falta.
Ah, nós e nossas verdades absolutas, nossas expectativas...
No dia em que aprendermos a olhar o outro como olhamos para nós mesmos, a entender suas falhas, suas desistências, mesmo quando são de nós, suas realidades, seus limites; não nos tornaremos melhores (não se iluda!), seremos apenas capazes de enxergar além de nossos umbigos.
Não busquemos, no entanto, milagres da evolução pessoal. Somos, lindamente, limitados.
Basta que saibamos viver nossas vidas por e para nós e não por e para mostrar o que quer que seja a quem quer que seja.
Ando seguindo minha própria filosofia e olha, tô gostando de ver o resultado!


Beijos azuis!


Por Mariah Alcântara
Publicado originalmente no Blog Flor do dia: Coletivo do Bonde
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