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Cris Couto


ACORDA, NEGA!
ACORDA, NEGA! é um blog-diário. 
Bem-vind@s! Boa leitura!
Cris Couto

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No princípio, tudo era uma página em branco
Oi, tem alguém por aqui?
Página em branco me lembra casa vazia.
Tem gente bonita nesta casa, espaço bacana!
'Bora pôr os móveis, já temos uns já usados, outros a gente escolhe e coloca por aqui.
Sim, cabe todas! 'Bora pintar as paredes, colocar flores nos vasos, traz aqueles quadros legais.
Sim, sim. Que bom. Que seja. Que fique com a nossa cara!
Cris Couto, 19/05/2016.

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Uma biografia para hoje
Mulher, negra, mãe e escritora.
A tomada de consciência não aconteceu nesta ordem e outros epítetos ficaram pelo caminho.
Quando adolescente, eu achava que poderia ser escritora. 
No curso de Letras, o academicismo implodiu meus sonhos.
Ainda na academia, desvelei um pouco mais do que a escrita poderia ser para quem quer ser.
Amparada por amigas queridas, aquele sonho antigo balança agora no meu peito.
Quem venham então essas palavras que pairam nos sonhos, sussurram nos lábios e respingam neste teclado.
Boa leitura!
Cris Couto, 19/052016.

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ACORDA, NEGA!
Tudo começou assim: amigas-irmãs, papo e tal, convite para escrever. Curti!

Lá na época do convite inicial, há um ano atrás, estava com o sentimento em frangalhos. Pensava que seria uma boa ideia escrever, para dar vazão ao meu recente terremoto emocional. A escrita seria uma das minhas estratégias de cura, pois já tinha colocado a vida em slowmotion e voltado à análise intensiva.

Revirava escombros daquilo que já havia sido e crido e aqueles cacos não pareciam mais refletir qualquer semblante do que eu poderia ser naquela hora tão trágica. Puxa, são imagens que recorrem a minha mente. Antes, eu achava que um título “Tudo que é sólido se desmancha no ar” poderia representar aquele momento. Hoje, tenho a certeza que nada foi sólido, talvez nunca o seja. Seres humanos... morreremos na falácia de nossas certezas.

Hoje, penso que a palavra que melhor define meu estado emocional no começo dessa proposta é DILACERADA. Eu era a sombra da mulher que sonhei em ser. Eu tinha medo e tristeza. Me sentia só. Minha alma, minhas crenças e meus ideais já não habitavam meu corpo. Os hematomas daquela noite pouco eram diante da humilhação e desamor que mortificavam meu espírito há alguns anos.

A esperança que hoje ergue minha cabeça e preenche meu espírito ganhou alicerce na SORORIDADE. Aos poucos, isso tudo terá chance de aparecer nos dizeres que rascunho neste chão.

Como eu dizia, são imagens que recorrem a minha mente. Depois de ir atrás de consolo no abraço de minha querida amiga, pouco eu conseguia dizer. Eu tinha vergonha por ter permitido que alguém me tirasse a esperança. Nenhuma marca doía mais do que aquele sentimento de ter depositado confiança em quem usaria meu amor contra mim mesma. Foram muitas conversas com amigas e tantas sessões de análise para tentar vomitar o chavão do futuro do pretérito: “padeço em vida por tudo que poderia ter sido e não foi”.

Depois da primeira acolhida amiga, vim para casa. Deitei na minha cama e, agora sim, chego à tão esperada descrição das imagens que recorrem à minha mente. Até aquela noite eu era sozinha, mas as estrelas cadentes surgiram no céu. Literalmente, foi isso para mim. Minha amiga, primeiro consolo e porto de meus dramas para o mundo, se despedia de mim com uma mensagem no celular. De repente ela escreveu: “posso te apresentar outras amigas minhas? Acho que elas podem te ajudar a passar por essa barra”. E as estrelas cadentes caíram do céu na minha cama:

- Oi, boa noite, sou amiga da sua amiga, soube o que aconteceu. Saiba que você é muito importante.
- Oi, boa noite, você não me conhece, mas quero que você saiba que não está sozinha. 
- Oi, boa noite, sei que está difícil agora, parece que você está num deserto, mas não desista de caminhar.

Sim, noite boa. Boa noite.

Cris Couto, 18/05/2016.

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