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domingo, 21 de maio de 2017

Estou me aquecendo de novo



Estou me aquecendo de novo. Minha alegria está voltando de dentro para fora
Tão sonhada e tão desejada é essa alegria. Acredito que, de fato, ela vem de dentro para fora. Mas você poderá dizer que não, que ela pode transbordar, por exemplo, ao ver um sorriso de uma pessoa que você gosta muito. E o que seria esse sorriso para você se sua alma já não estiver preparada para recebê-lo?! Então sim, essa alegria sai de dentro para fora.
E quando sua alma não consegue sentir essa alegria? Se para todo lugar que você olha essa tão sonhada, tão desejada alegria não transborda? O que podemos fazer?
Não dá para emanar simplesmente o amor, assim como não dá para emanar a alegria sem ter uma razão para senti-la.
Fica vazio. Vazio.
Endurecido
Enfurecido
É raivoso
TRISTEZA
Não obstante vem à tristeza te desperta para a vida. Mesmo triste é possível ver beleza? Ver um sorriso? Ver o amor?
 É preciso galgar devagarinho para não perder o que de melhor se emana na alma. É passo, no compasso, no metrônomo, tum tum tum, no pulsar, no dedilhar, no tilintar. Com calma.
Devagar
Calma
A alma se refaz e então a alegria volta de dentro para fora.

Regis Pinheiro, 20/04/2017
Acima de todos os gêneros, de sentimentos fluídos, apaixonada, de par com a mulher mais incrível do mundo e acreditando que vale a pena ser o que é.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O que tem sentido? Que sentido tem?


















Ameaçador,
ameaça a dor,
ameaça à dor?
Perdedor,
perde a dor,
perde à dor!
Ganhador,
ganha dor,
ganha a dor.
Retificador,
retifica dor,
retifica a dor.
A dor ... há! ... dor.
O que tem sentido?
Que sentido tem?
Próprio?
Visão, 
audição, 
tato, 
paladar?
Figurado?
Vida é ida, escolha o lhe aquece a alma, a alegria vem de dentro para fora.
Pois já dizia uma antiga filosofia, "Isto também passará!"

_Keila Almeida_














sexta-feira, 5 de maio de 2017

Eu queria ... eu quero ... mais ... mas,


"Até que você torne o inconsciente em consciente, aquele irá direcionar a sua vida e você irá chamá-lo de destino." (Carl Jung)


Eu queria ter um corpo sarado, mas sabe eu amo experimentar diversas culinárias.
Eu queria ver o amanhecer, comprar pão quentinho de manhã tomar um café quente depois pegar uma trilha, mas eu amo filmes e séries, nunca durmo antes das três até vejo o amanhecer e nada mais antes de brilharem as estrelas.
Eu queria, aprender Inglês, Alemão e Francês , linguagens de programação, Hipnose e surf, mas nada disso tem nada haver eu tenho trinta anos, amo conversar com as pessoas, musica e uma boa reunião para beber com amigos.
Eu queria Morar em Bruxelas, eu queria viver no Brasil, ou passar um tempo no Canadá, mas eu tenho um trabalho, alguns semestres de faculdade e uma vontade imensa de que tudo de certo.
E falando em tudo da certo, o que seria.
São tantos eu queria e outros tantos mas.
São direito e deveres,
Necessidade e quereres.
Batalhas intermináveis de sobrevivência.
E como já dizia Belchior, "Não quero o que a cabeça pensa, quero o que a alma deseja",
...

Mas é seguro sonhar, inconscientemente realizar o que conscientemente a cabeça nega.
...

"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta." (Carl Jung)


_Keila Almeida_

quarta-feira, 3 de maio de 2017

“Não quero o que a cabeça pensa, quero o que a alma deseja” (Belchior)


Sabe aquele plano que elaboramos noites a fio para dar tudo certo? Bem, felizes somos quando percebemos que ele existe para ser subvertido.

Soluções para sermos bem-sucedidos em sociedade estão a mão: tenha isso, faça aquilo, mire-se nas aparências que estão em voga, repita discursos sedimentados. E a roupa exclusiva da C&A que foi produzida aos milhares lotam as araras de lojas que aguardam milhares de compradores, sem exclusividade nenhuma.

Saio de casa todos os dias, bem cedo, para ir trabalhar. Quando já estou no meio do caminho, minha alma olha para o céu. Sim, eu ainda consigo sentir como o nascer do sol é bonito!

Esse poderia ser um dia diferente dos outros. Em vez de deixar o nascer o sol passar, eu poderia ir com ele. Daria meia volta, buscaria meu filho na escola e passaríamos a tarde no parque. Ora deitados na grama, ora caminhando devagar. Depois acharíamos um lugar bacana para tomar outro café da manhã, mas um mais gostoso, daqueles quentinhos, com gosto de padaria.

Sim, desta vez eu poderia...


Cris Couto, 03/05/2017

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Viver é ... as vezes não dou conta.

Hoje acordei e deparei com varias feridas, cortes e roxos espalhados pelo corpo.
Olhei fixamente no espelho e eles estavam la.
Ainda assim eu tomei minha xícara de café peguei a mochila por que já era 08:30, mas um dia que chegaria mais tarde ao trabalho e queria muito terminar o dia mais cedo.
Todas as marcas foram, comigo e não ninguém as via.
Não usei maquiagem para cobrir, tão pouco é pelo tom preto da minha pele.
É por que hoje  percebi  minha alma toda dilacerada, como se visse meu corpo refletido no espelho após, alguns anos de tortura.
A tortura chamada viver!
Todo dia carrego o peso do que tenho que ser e do que eu não deveria ser.
De ter que usar rótulos enquanto não preciso deles, pois são poucos para mim.
E quando se trata de viver, vem o risco em não viver, é um processo natural temos prazo de validade, mas sabe quando é assim de repente e por vontade de outrem.
Todo dia é um dia a menos se for pensar cronologicamente, mas em tratando de ser mulher, negra, homossexual e possuir deficiência (pois é - rótulos) todo dia é um dia a mais, de dar graças por estar viva.
Para no dia seguinte acordar com aquela alegria de querer mergulhar no mundo como se mergulha no mar.
E aquela incerteza de voltar, de que desastres a esperam por que "ali não é seu lugar".
Tem dias que é de mais, muitas ondas a driblar o folego falta o corpo cansa.
Simplesmente eu não dou conta.

_Keila Almeida_

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Eu não dou conta...

Hoje eu parei para olhar ao meu redor.
Há tanta coisa que eu preciso fazer...
Entre ser mãe, filha, irmã, amiga, mulher, profissional, namorada, eu mesma; são tantos os papéis, são tantas as "eus" que preciso ser que de vez em quando eu estanco.
É que não dou conta.
E está tudo bem!
A gente não tem que poder tudo o tempo inteiro. A parte difícil estar em saber e admitir que a gente não pode.

Esse texto de hoje, por exemplo...
Eu não dei conta.
E quem nunca???

Beijos azuis.


Por Mariah Alcântara

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O prazer é todo meu: a masturbação como instrumento do empoderamento feminino

Escritora convidada: Regis Pinheiro

No antigo Egito a masturbação era algo tratado com naturalidade, inclusive as mulheres, quando morriam, eram mumificadas e enterradas com dildos feitos de argila.
Se formos pesquisar sobre a masturbação feminina, encontraremos poucas informações, levando em consideração que, para os homens, existem mais referências. Mas, mesmo assim, vamos ver que a masturbação era algo comum entre vários povos e, também há quem não acreditava que era tão natural assim. Os Indianos, por exemplo, acreditavam que masturbação era deixar a força vital ir embora, como desperdício, assim eles criaram o sexo tântrico.
Após o cristianismo o ato de masturbar foi tratado como algo “pecaminoso”, proibido tanto para homens menos ainda para as mulheres.
Até hoje, no século XXI, apesar de termos mais informações, ainda acredito que para muitas mulheres esse assunto seja tabu. Foram muitos séculos de doutrinação para que, nós mulheres, entendêssemos que nossos corpos são para o prazer do outro e não para nós também.
Geralmente, descobrimos a masturbação na infância mesmo que sem cunho sexual é nessa fase que descobrimos nosso sexo. É na puberdade (salvo exceções) que vamos usar a masturbação como satisfação sexual e/ou curiosidade.
Para muitas meninas, esse ato vem com uma carga mais pesada, pois, além da herança religiosa, ainda há a carga construída socialmente quando nós somos criadas para nos “comportarmos” ou não encontraremos um marido: senta direito; não use roupas curtas, etc.
Primeiro existe o desejo, a vontade e quando conseguimos passar por essas barreiras, tentamos aprender mais sobre nossos corpos, como sentimos prazer.
Gosto de pensar que a masturbação feminina é um ato político. É o momento que descobrimos que podemos nos dar prazer, nos sentir vivas e ir contra todo esse peso social que nos é dado sem questionarmos. É o momento que nos fazemos pessoas reais, com desejos.
Ainda por vivermos numa sociedade patriarcal e muito machista, cabem para nós mulheres, nos permitimos esses pequenos (e por muitas vezes os melhores) prazeres, cabe para nós tomarmos esse ato como algo tão natural quanto comer ou beber.
Vamos sentir nossas vaginas, tocá-las, apalpá-las, esfregá-las, penetrá-las com dedos, com dildos, vibradores, friccionar o clitóris, pressionar a vulva, os pequenos lábios, os grandes, o capuz. Vamos sentir prazer! Porque até mesmo quando procuramos informações sobre nossas vaginas, essas informações não vêm acompanhadas das infinitas possibilidades de prazeres que podemos sentir. 

Regis Pinheiro, 19/04/2017
Acima de todos os gêneros, de sentimentos fluídos, apaixonada, de par com a mulher mais incrível do mundo e acreditando que vale a pena ser o que é.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Combinado não sai caro


Acredito que a afirmação “ninguém pode ser coagido a ser protegido contra a própria vontade” de Maria Lúcia Karam[1] possa ser pensada em situações em que um combinado prévio não é cumprido, o que poderia ocasionar a degradação entre seres humanos por atitudes coercitivas. Por exemplo:

Combinado: Vivemos em relacionamento monogâmico, sem traição.
Fato: Fui traída.
Atitude coercitiva: Brigo, chantageio e/ou maltrato minha namorada, pois ela me magoou e não quero perdê-la. Na minha cabeça, penso “vou dar uma lição nela para que ela nunca mais faça isso comigo e nem me faça sofrer mais”.
Atitude ética: Termino o namoro e lido com meu sofrimento, afinal esse era o combinado (traição = fim de namoro). Faço isso pois entendo que ela não é um objeto (que possa ser meu ou perdido), mas uma pessoa que, ao meu lado, possibilitava a relação amorosa que eu almejava para ser feliz.

Na prática, na maioria das vezes, a relação é mantida com a quebra do combinado. Seria uma margem de tolerância, caso o convívio não descambe para um ciclo de atitudes de coerção e violência.

Entendendo que “ninguém pode ser coagido a ser protegido contra a própria vontade”, deixo o convite de se partir para um novo relacionamento (consigo mesmo ou outra pessoa) ou, se for amorosamente desejado pelo casal, dialogar por combinado(s) que acolha(m) a dinâmica das vontades dos envolvidos.  

Cris Couto, 12/04/2017







[1] Juíza aposentada no Rio de Janeiro, membro da diretoria da Law Enforcement Against Prohibition (LEAP) e presidente da Associação dos Agentes da Lei Contra a Proibição - LEAP BRASIL). Maria Lúcia Karam emprega essa afirmação em sua crítica contra a guerra às drogas.  Segundo a juíza, o uso de entorpecentes acontece pela própria vontade do indivíduo. Como não há uma legalização das drogas no Brasil, os policiais agem como agentes de coerção da vontade própria dos cidadãos. Em razão das mazelas históricas de nosso sistema econômico, social e político, o Brasil é o terceiro país do mundo com maior população carcerária (mais de 700 mil presos). De fato, os grandes traficantes e fabricantes, de drogas não são presos. O que acontece: as cadeias incham com usuários e vapores, que são pessoas em vulnerabilidade social (pobres e homens e mulheres negros) e aguardam muito por tempo (meses, anos), encarcerados, o seu julgamento.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Sobre não coagir

“Ninguém pode ser coagido a ser protegido contra sua própria vontade” (Maria Karam)

"Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça" (Cálice - Chico Buarque)

Os últimos dias na mídia tem sido demarcados por uma discussão sobre limites. Assistimos abusos de todos os níveis, e bestificados percebemos que esses abusos sempre estiveram ali. A novidade é a reação, inédita. Nos ensinaram a ser meigas e doces. Dizer “não” com energia é um aprendizado que nos requer uma grande desconstrução.
Numa emissora de TV, uma mulher denuncia um assédio violento por parte de um ator famoso. Na mesma emissora, em um programa de muita audiência, uma moça sofre abuso em todos os níveis ao vivo. Ela não denuncia. É preciso que terceiros interfiram. E ao ser afastada do agressor, a moça chora, justifica as atitudes do moço, tende a dizer que tudo aquilo é um exagero. Fatos, apenas. Fatos num país onde uma cultura do estupro justifica sempre o masculino, enquanto procura uma mulher para colocar a culpa. Foi possível encontrar quem dissesse que a primeira moça estava querendo aparecer a “fazer nome” em cima do ator famoso, enquanto a outra irritou e provocou o namorado até ele enlouquecer e ficar desequilibrado emocionalmente. Culpa dela. Estamos todos, homens e mulheres, inseridos dentro dessa cultura e precisando urgentemente desconstruí-la. Para que não exista mais essa relativização da violência contra a mulher. Diante de um caso claro onde a mulher é vítima, quem nunca ouviu que “essa história está muito mal contada?”
Mas para além de tudo isso, moram as verdades de cada um. Algumas pessoas, em momento de fragilidade, precisam de ajuda para sair da situação onde foram parar. Quanto mais abusada a pessoa, mais dificuldade ela encontra em sair de relações tóxicas. E é preciso que essa pessoa encontre em nós apoio e acolhida. Apenas. Todo o resto da tentativa de proteção talvez seja diversificação de tutela. Se entendo que o outro precisa ser protegido, estou lidando com várias percepções erradas: Eu sei o que é melhor para o outro, o outro não sabe o que está fazendo, e, em última instância, se eu não salvar a pessoa ela estará perdida.
Tudo errado. Isso é exatamente o que qualquer abusador faz. Enxerga o outro como menor, pequeno, enxerga a si mesmo como o grande salvador sem o qual o outro só faz bobagem... Isso significa que, se eu não estiver muito muito atenta, corro o risco de, tentando proteger alguém, transformar-me no seu algoz, determinando o que o outro deve pegar ou largar, o que ele deve sentir, de que forma deve agir.

Eu não tenho resposta. Não sei proteger uma mulher sem reduzir sua autonomia sobre si. Intuo que o caminho passa por ajudá-la a sentir-se mais forte para fazer por si. Só nós arcamos com o custo e os frutos de nossas escolhas. É justo que nós sejamos os protagonistas das ações.



sexta-feira, 7 de abril de 2017

Bilhetinho azul ... Obrigada


Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar
o meu amor foi embora e só deixou pra mim
um bilhetinho todo azul com seus garranchos

Que dizia assim "Chuchu vou me mandar!"
é eu vou pra Bahia (pra bahia) talvez volte qualquer dia
o certo é que eu tô vivendo eu tô tentando Uuu!!!
Nosso amor, foi um engano

Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar
como pode alguém ser tão demente, porra louca
inconsequente e ainda amar, ver o amor
como um abraço curto pra não sufocar
ver o amor feito um abraço curto pra não sufocar

(cazuza)
....

Hoje eu acordei com sono , sem vontade de acordar.
A cama estava quente, e eu pela primeira vez me senti no meu lar.
La fora até chovia, mas não como nos outros dias que me pareciam tristes.
Hoje este dia era meu, eu poderia ler e até arriscar em fritar um ovo sem sal.
Comer todo o chocolate, há e eu me esticaria na cama de todas as formas e isso me daria imenso prazer e não aquela dor da ausência.
Eu poderia  ver qualquer filme até um documentário, estudar um pouco na internet ou não fazer nada ou só pensar em silêncio.
Nossa! E eu posso ver uns amigos, escolher ir a um samba ou um Rock e por que não Samba Rock.
Hoje a decisão era minha, a escolha era minha.
e pela primeira vez eu notei que não estava sobrevivendo, não tinha mais que me sentir em um aquário onde nem meus ouvidos ficavam descobertos apenas a boca e o nariz e as vezes até eles eram cobertos devido o cansaço da resistência e luta.
Hoje não existe mais você e eu aprendi a viver, aprendi a importância de poder acordar e ser dona do meu dia sem me importar com as reclamações de atenção não dada por que eu queria(precisava) ler, de como o ovo está sem sal ou de por que não como de vagar o chocolate ou guardo para o dia seguinte.
Sei que gosto da minha camisa masculina e da minha calça de couro feminina, de pintar as unhas de preto e se isso me faz "viado", que orgulho. Não tem nada de errado nisto!
Eu nasci só e morrerei só, o resto é soma ou nada!

Bilhetinho azul. Obrigada!

.....

'Eu disse' Que dizia assim assim "Chuchu vou me mandar!"
é eu vou pra Bahia (pra bahia)  viver talvez volte qualquer dia
o certo é que eu tô vivendo eu tô tentando  bem Uuu!!!
Nosso amor, foi um engano,

....

não era amor era prisão! 

...

E o porra louca inconsequente ama sim, e por isso as coisas que ama deixa as livre

... 

- ver o amor feito um abraço curto pra não sufocar, ver o amor feito um abraço curto pra não sufocar!

_Keila Almeida_

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Eu aprendi que mereço


Para Regis Pinheiro

Confiança. Hoje, acredito que tenho alguém que acredita em mim e como isso é bom! Hoje, as palavras bastam, pois, agora, há muito respeito recíproco em meu atual relacionamento.

Lealdade. Hoje, tenho uma companheira que tem dado valor aos meus sentimentos e, reconheço, com ela me tornei uma pessoa mais doce e expressiva. Isso acontece quando você se sente amada!

Atenção. Como é bom, hoje, me relacionar com alguém que conhece meus gostos, ri das minhas piadas e adora meu sorriso! Quando temos grana, ela me ajuda a escolher um lugar aconchegante para jantarmos juntas ou me surpreende com o chocolate que eu adoro. Que doçura é ter uma companheira que lembra com carinho e me surpreende nas datas comemorativas. Que delícia ter a companhia dela para rirmos alto de ótimas comédias ou secarmos nossas lágrimas em filmes emocionantes. E não posso esquecer: juntas pulamos pelos ares e fazemos belas viagens!

Ter o meu tempo. Gosto de ter tempo para ficar com meu filho e minha família, com meus amigos e para curtir meus hobbies (leitura, dança e violão). Também gosto de ter meu tempo de paz para relaxar e meditar. Como é bom me relacionar com alguém que entende e respeita que preciso desse tempo para fazer o que gosto e estar com as outras pessoas que amo.

Ser melhor. E como sou melhor agora! Consigo lidar melhor com minhas marcas do passado e dizer o que sinto. Já sei dizer um pouco mais “não” para o que não quero. Reconheço um pouquinho melhor meus egoísmos e procuro lidar melhor com eles. Tenho cada vez mais coragem para buscar o que pode me fazer feliz. Nisso tudo, por vezes, sinto e tenho o apoio de minha companheira amada.

Apoio. Acordo corrida durante a semana! Preciso me arrumar para o trabalho, arrumar meu filho e leva-lo para escola. Quando minha namorada dorme comigo, ela tem o cuidado de nos ajudar: arruma meu quarto e prepara nosso café com carinho porque ela quer, veja bem! Que gostoso, que aconchegante! Mas o melhor de tudo: com ela aprendi que posso estar na bad e viver minha bad sem pressão, sem peso e sem culpa. Ela dá meu espaço quando preciso dele e também é meu aconchego, quando preciso de colo, diálogo e carinho.

Quando temos a sorte se achar alguém assim, depois de um belo tombo, o ditado faz sentido: “vão-se os anéis e ficam os dedos”. Ficam as mãos, a mente, o corpo e o coração. Com tempo, cuidado e carinho a gente pode viver bem de novo.


Cris Couto, 05/04/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Sem você eu não sobrevivi. Aprendi a viver.

Naquele dia eu acordei sozinha. Não tinha ninguém do meu lado na cama. E imediatamente eu me lembrei de que eu te beijava todos os dias. Antes. Eu fazia isso mesmo nos dias mais difíceis. Mas naquele dia tudo era silêncio. E fiquei surpresa quando percebi que gostei. Gostei de não ter que conversar. Gostei de não preparar nenhum café. A não ser que eu quisesse. Ao invés de perguntar: “O que precisamos fazer hoje?” eu me perguntei “o que quero fazer hoje”.
Meu querer. Há quanto tempo ele tinha deixado de importar? Eu nem sabia mais.
O espaço do meu guarda-roupa. Você tinha levado tudo. E pensei o que eu poderia colocar ali no seu lado. E podia ser o que eu quisesse.
De repente, o tempo, meu tempo tão escasso, era de novo meu. O final de semana. Quantos amigos eu poderia encontrar a partir daquele instante?
Lembrei das vezes em que eu quis viajar. Mas nos faltavam recursos financeiros. Não era fácil manter nosso padrão de vida. Mas eu estando sozinha, tudo mudava. Fui fazer teatro. Fui fazer terapia. De repente, os meus recursos, internos e externos, pertenciam só a mim mesma. Eu me pertenci de novo.
Me pertencer...
Me perguntei de onde vinha essa tendência a priorizar o outro. Qual carência me fazia querer agradar a esse ponto, a ponto de me ignorar, a ponto de não me permitir viver o que me fazia feliz.

Fiquei inebriada com todo o silêncio. E eu sorri pra vida.  

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sem você eu não sobrevivi. Aprendi a viver.

Foi em um sábado de manhã, depois de todo um sexta-feira romântica, as crianças na casa da avó, mil planos para o final de semana cheio de amor que viria...
Encontrei a mesa posta, um café da manhã de novela. Ainda de forma romântica, quase teatral sentei à mesa e nos demos as mãos, dei meu maior sorriso, aquele que grita amor e felicidade. Então ouvi a frase "Querida, eu não posso mais continuar. Terminamos aqui."
O chão sob os meus pés cederam sem se mover, o sorriso se transformou numa careta de choro e eu aceitei. Sim, aceitei. Já eram tantas idas e vidas que eu simplesmente não podia mais. Eu também não podia continuar.
Levantei-me da mesa de café e voltei pra cama, lugar que me acolheria por meses a frente.
Entrei em um processo de chora, trabalha, dorme que nunca tinha fim. Foram 6 meses.Em dias de folga eu não me levantava.As crianças aprenderam a se cuidar e até a cuidar da própria comida. Eu, morta viva, segui na sobrevida.
Mas um dia eu abri os olhos e o café quente voltou a ter cheiro. Montei minha própria mesa e arrisquei um sorriso de novela para o suco de laranja que parecia doce e ele estava mesmo! Arrisquei olhar em volta e apreciar o meu trabalho. E eu desbravei os lugares que me permiti ir. E descobri que viajar não era tão caro, tão complicado e tão difícil quanto eu ouvia, descobri que me dar presentes era necessário, que ter amigos era essencial, que eu podia ir ao cinema, ao parque e ao teatro sozinha e isso seria muito bom.
Foram tantas coisas que eu fui aprendendo com os dias que eu descobri, que de amor não se morre. Mesmo quando temoa  certeza que não sobreviveremos. Aliás, não sobreviver é a melhor coisa.
Sem você eu não sobrevivi. Aprendi a viver!


Beijos azuis


Escrito por Mariah Alcântara
Publicado originalmente no Blog Flor do dia: Coletivo do Bonde
Para ler mais,e ver por onde ha traços meus. clica AQUI.

sexta-feira, 31 de março de 2017

As mentiras que elas contam





Quero. Não quero mais.
Sim. Não.
Nunca, jamais!
Talvez, quem sabe!
Um sorriso, sob cortinas de lagrimas.
Um beijo, entre tapas.
Um eu te amo, batendo a porta.
Podemos, espere pare!
Eu te odeio adeus, não vá!
Por favor, volte, fique longe de mim.
Eu sou. Não, eu não sou. Não sei!
Parece que ela é louca, não é?
...

Não, não é, ela sabe o que quer.
Não são mentiras ou um entre “aspas”.
Mulher é convidativa por natureza, mas quando ela diz não é não com certeza.
As mentiras que elas contam, são verdades que você ignora.
Não deduza, ouça-a!

_Keila Almeida_

quinta-feira, 30 de março de 2017

De mentira em mentira

Ainda me lembro da decepção quando, aos 5 anos minha prima me contou que o Papai Noel não existia. Corri pra minha mãe e falei: Mãaae, ela está dizendo que o Papai Noel não existe, é mentira não é?
Ela sem titubiar disse: Não, não é mentira, o Papai Noel não existe mesmo!
Desejei que ela tivesse mentido, porque aquela verdade me deixou muito confusa e não conseguia entender a propaganda na TV de um shopping em São Paulo que dizia no "jingle": "Papai Noel existe mesmo e mora lá, Center Norte" em que eu associava Center Norte ao Polo Norte, então as informações tinham conexão na minha cabeça.
Hoje falando sobre isso rio sozinha, mas naquele dia quis muito que ela tivesse mentido porque o Coelhinho da Páscoa não existia, era meu pai mesmo, então pelo menos o bom velhinho que aparecia na televisão, poxa, ele existia sim.
Graças ao céus meu dente caiu e a Fada viria busca lo se eu jogasse no telhado kkkkk mas isso não era a fada, era superstição da família. Mas deu certo, eles nasceram novamente e estão aqui ainda rs.
Quando eu descobri a primeira traição amorosa desejei ouvir: claro que não existe, ilusão da sua cabeça! Mas estava ali, diante de mim, não havia como negar, ninguém me contou, estava diante dos meus olhos.
Desolada, segui, me perguntando por diversas vezes: como pôde? Por que comigo? Tantas promessas e juras de amor e agora isso?
A maturidade trás a resposta para várias dessas perguntas, também mostra que amor e desejo podem ou não andar juntos.
Até que, um belo dia outra pessoa faz a mesma coisa, mente novamente, engana,  magoa com as inverdades, as quais eu preferi acreditar. Então aqueles fantasmas adormecidos do trauma anterior acordam e milhões de novas e antigas perguntas se fazem novamente na mente.
Por tantas vezes meu perguntei: Como pôde? Por que comigo?
Sim, não estou imune as mesmas mentiras por te las recebido anteriormente, como em uma vacina ou uma doença da infância. Tive uma vez, não terei mais. A mentira não é assim.
Se fui ingênua mais uma vez, precisarei me perdoar também, mas deixo de ser a vítima a partir do momento em que decidi acreditar. Afinal algumas mentiras me deixaram tão confortável por alguns instantes que não quis averiguar se eram mesmo mentiras ou não.
Também não posso me culpar por ter acreditado em alguém novamente, porque isso também me trás conforto.
Aquele ditado que diz: "O que os olhos não vêem, o coração não sente" me faz tanto sentido agora, como em outros momentos.
As vezes eu só queria ouvir de novo o "não, é ilusão da sua cabeça, não existe" para as mentiras que descubro.
Em contra partida me recordo de também não ter dito a verdade e ter seguido normalmente.
Já disse sim, quando quis dizer não (fiz isso nos últimos tempos com mais frequência que em qualquer outro tempo na vida). Isso não foi legal, criou falsas esperanças e me submeti a situações desconfortáveis, me invadi um pouco, me desrespeitei. Nos magoamos!
De mentira em mentira foi construído um castelo de areia, com a maré e os ventos da verdade tudo veio abaixo.
O mar contínua o mesmo, tão perigoso quanto antes, tão belo quanto antes, as ondas se fazem e desfazem...e mais uma vez vou experimentar, com a esperança de que os mergulhos sejam mais fundos e mais corajosos, sem esperar que alguém me salve, mas indo até onde me sentir segura para manter o domínio do meu corpo, sem precisar esperar que alguém me salve, mas com a certeza da delícia de me entregar nessa imensidão e acreditar que as águas nunca serão as mesmas. Afinal, manter o domínio sobre ocorpo, além de ser mentira, torna a coisa e a vida menos prazerosa.

Por: Renata

quarta-feira, 29 de março de 2017

Dolorosas mentiras

Sou mulher e fui aprendendo a mentir desde cedo. De maneira geral, minhas mentiram busca(va)m a aceitação, o olhar e o amor do outro.

Dizer que está tudo bem quando não está.

Dizer que consigo quando nem sei por onde começar.

Dizer que quero quando não tenho vontade.

Dizer que amo quando gosto.

Dizer que estou bem quando estou triste.

Sorrir chorando por dentro.

Sentir-se sozinha no meio da alegria dos outros.

Essas são algumas mentiras caras, que doem na alma e no corpo. Tenho aprendido a ser mais leal comigo mesma. Mesmo sabendo que o afeto alheio está em risco, não digo. Silencio. E se for muito para suportar, já procuro tentar dizer não.


Cris Couto, 29/03/2017

terça-feira, 28 de março de 2017

As mentiras que elas contam

E existem aquelas mentiras que são pura questão de civilidade.
Só as crianças bem pequenas dizem sinceramente tudo o que pensam.
Conheço gente que diz: falo mesmo, sou sincera! E no fundo não é sinceridade, é grosseria pura mesmo, total falta de empatia com o outro.
Adultos pensam nas consequências dos seus atos. Inclusive na força das suas palavras.
Algumas verdades tem o momento certo de ser ditas. Antes que chegue esse tempo certo, podem ser palavras jogadas ao vento, ou pior, podem causar conflitos desnecessários.
E, pensando bem, o que é verdade? Existe verdade absoluta? Ou existe a minha verdade, que é tão válida quanto a verdade do outro?
Na maior parte das vezes eu sou lenta pra falar. Porque antes de falar eu penso no que minha palavra vai causar no outro. Eu preciso estar realmente muito enfurecida pra falar alguma coisa sem pensar antes.
Meu pai era a gentileza em pessoa. Algumas perguntas não se podia fazer pra ele. Por exemplo, se você perguntasse: "Tô incomodando?" ele poderia estar super incomodado, mas diria que não. Quando ficou internado, com câncer nos ossos, as enfermeiras perguntavam se ele estava com dor e ele respondia: "um pouco".
Pra onde vão as verdades que a gente não diz? Quantas declarações de amor a gente escondeu por medo da rejeição? Quantas vezes minimizamos nossos sentimentos?
Alguém diz: "você deve estar com raiva" e a gente logo suaviza: "com raiva não. Bem chateada."
Porque mulher não deve dizer não. Nos ensinaram a ser meigas. Quantas vezes eu não convenci pessoas de que eu não valia a pena e não estava à altura delas apenas porque EU não queria ficar junto?
E não assumir, também é mentir? Quando a gente está de saco cheio de um relacionamento, ou de um trabalho, mas esperamos que algo aconteça para que a gente se sinta justificada pra largar. Não se pode ir embora apenas porque se quer ir embora. Essa proibição não está explicitada em lugar nenhum, mas fica subentendida.
Quantas justificativas sem sentido?
Uma vez uma atriz famosa traiu o namorado. Perguntada sobre a traição ela respondeu: "traí porque não tenho caráter". Olha que simples!
As vezes acho que é bem difícil achar esse equilíbrio entre falar a verdade, não engolir sapo, e ao mesmo tempo ser uma pessoa adulta e responsável. Sua vida seria como é se alguma maldição te obrigasse a passar um mês somente dizendo a verdade, como naquele filme? A minha explodiria. Ou quase.




segunda-feira, 27 de março de 2017

As mentiras que elas contam

Me pergunte "quem são elas?" e eu responderei "nós!".
Ora vamos, quem nunca?
Quem nunca contou uma mentirinha, ou uma mentirona? Certamente você já mentiu por amor e mentiu por desamar.
Inventou uma mentirinha no trabalho, uma mentirinha no médico, uma mentirinha na vida.
É, mentimos!
Não se martirize, saiba que já mentiram para você também.
Mas hoje quero falar das mentiras contadas por ELAS, ou seja, por nós.
Tem gente que diz que está tudo bem, quando queria colo, ombro, atenção.
Tem gente que divide o tempo, mas queria mesmo era ficar só.
Tem ainda quem divida a vida, mas dentro de si quer mesmo é que seja tudo individual.
A gente vai  contando mentiras sim, vezes por defesa, vezes para justificar, vezes para não machucar e vezes para ferir.
Se eu quero justificar mentiras? não mesmo!
Só quero que pensamos no perigo de apontar o outro.
Eu já ganhei o direito de dizer a verdade. Mas não posso dizer que estou isenta de mentiras. São 41 anos de vida, no meio do caminho, algumas mentiras se acumularam. 
Algumas mentiras são sim perdoáveis. Oque não passa impune é hipocrisia e mau caráter.
Mas antes de estufar o peito e dizer do seu orgulho, SE responda:
- Que tipo de mentira vem contando?


Beijos azuis


Escrito por Mariah Alcântara
Publicado originalmente no Blog Flor do dia: Coletivo do Bonde
Para ler mais,e ver por onde ha traços meus. clica AQUI.

A GENTE VOLTOU!!!!!!!!!

AVISO AOS NAVEGANTES:

O BONDE ESTÁ VOLTANDO!
SEGURA A MARIMBA QUE ESSA TEMPORADA VEM PRA SER O FECHAMENTO DE VOCÊS, MOZÕES!

SE É PRA TOMBAR, TOMBEI!


Nossa agenda
Segundas - Dia de colocar o dedo na ferida e refletir com Mariah Alcântara.
Terças - Dia de sentir com a intensidade da Thais Stella.
Quarta - Dia das leituras deliciosas e requintadas com  Cris Couto.
Quinta - Dia de olhar a vida com fé "que a fé não costuma faiá" de Renata Gomes
Sexta - Dia de surpresas diversas, ousadas e divertidas com Keila Almeida.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Gracias A La Vida - Mercedes Sosa

Gracias A La Vida - Mercedes Sosa

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida, gracias a la vida

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Falar e calar

Durante alguns anos da vida tudo que se é sentido é expressado em frações de segundos. Isso acontece porque a infância não nos dá a noção do que pode ou não ser dito.
Aprendemos a falar e as palavras saem naturalmente, até que os acontecimentos e as pessoas começam a limitar e mostrar em que momento devemos falar ou calar. Alguns aprendem, outros nem tanto.
Quando o adulto de referência como família diz para não gritar com seu irmão, não falar assim com seu professor, não responder o mais velho, agradecer, pedir licença ou desculpas é, além de educar, ensinar o momento e a forma de expressar seu sentimento e/ou necessidade.
O bebê chora para expressar alguma necessidade, quando ganha seu vocabulário percebe que além do choro, é possível ter o que se quer, falando. Depois de adulto a proporção do vocabulário em relação ao choro é maior, quando não, nos causa estranheza.
Existem grandes problemas causados por alguns que não aprenderam a dosagem entre o falar e o calar, também, por aqueles que têm questões com a mal comunicação ou comunicação excessiva.
É preciso mais que paciência para lidar com quem não se atenta em resolver os problemas, mas crítica quando você o faz. É preciso dizer o que se pensa mesmo quando não haverá solução para isso. Pois, mesmo quando não há solução para o mal caratismo, evita que gere dentro de si sentimentos quase incuráveis.

Por: Renata

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Só, São Paulo

“A placa de censura no meu rosto diz:
Não recomendado à sociedade
A tarja de conforto no meu corpo diz:
Não recomendado à sociedade”
(Não recomendado – Caio Prado)

Quando jovem, as luzes de São Paulo eram fascínio e beleza
Da Santa Generosa, a 23 de maio era fotograma em luz e serpentina
As luminárias demarcam regiões de ocupação e diversidade
Outros territórios de Liberdade, outras épocas para o Chá

Quando adulta, violência e paixão me arrancaram da chuvosa
Acho que em outra vida enterrei o umbigo nas Minas
São Paulo era luto e ciúme, desamor e traição
Mas é uma danada! Na doença e na tristeza reviravoltei

Multipliquei-me aqui e gosto de ver multidão
Gosto de ver na multidão que todos não são cada um
Apesar de sermos um cada um, uns mais alguns e nenhum quase todos
Ainda é solitário andar por entre a gente

Cris Couto

25/01/2017

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Relações abusivas - parte 02 - Os amigos

Hoje mais uma vez o assunto é relações abusivas. Estou chocada em como elas são normalizadas. São tão normalizadas que, nesse exato instante, você pode estar dentro de mais de uma sem saber. Por isso é tão difícil identificar uma relação excessivamente abusiva e sair dela. 
Como dissemos lá no primeiro texto (que você pode ler rolando a tela mais para baixo), toda relação eventualmente pode envolver momentos de abuso, onde no calor do momento uma parte ou a outra pode falar algo que não deve. Reconhecer onde isso extrapola e "passa dos limites" é o desafio. Os amigos tem papel importante nesse termômetro. 
Mas aí existe um problema. Porque numa relação verdadeiramente abusiva, a primeira coisa que o abusador faz é afastar a vítima dos amigos. E aí eu tenho um problema com essas nomenclaturas. Porque apesar de reconhecer claramente que sim, existe um abusador e existe uma vítima nesse tipo de relação, usar essas palavras me parece trazer uma visão maniqueísta que não ajuda na qualidade da discussão, porque, como eu disse anteriormente, parece desconsiderar a dinâmica de uma relação entre dois adultos e colocar a vítima na posição de princesinha presa da torre. Mas ainda estou elaborando uma forma melhor de pensar sobre isso, talvez vocês possam me ajudar. Vamos pensando sobre isso.
Os amigos tem um papel delicado diante de uma relação abusiva. Precisam tomar cuidado para que não caiam na armadilha de uma troca de tutela. Sua amiga está extremamente frágil. E estará mais frágil quanto maior for o tempo que estiver sofrendo o abuso. A autoestima dela está muito debilitada. Ela não tem força de reação. Tem muita dificuldade de acreditar em si mesma. Você olha pra ela e tem a sensação de que sozinha ela nunca vai conseguir sair do buraco que se enfiou. Ela se sente tão pequena que está com medo de tudo. Você se lembra da pessoa poderosa que você conheceu e mal reconhece. E aquilo te parece bem triste. Dizer "vem pra cá que eu cuido de você" é ilusão. Porque você não vai cuidar. Se você for alguém emocionalmente saudável, você não vai oferecer a dinâmica interdependente doente que esse outro oferece. 
Uma das perguntas que lancei no facebook foi: O que você gostaria que seus amigos soubessem?
As respostas me surpreenderam, porque muitas vieram na linha de: "queria que eles soubessem que eu precisei desse tempo". Imaginei logo que se tratasse de alguma síndrome de Estocolmo, visto que supostamente ninguém "precisa" sofrer abuso. Mas não era do abuso que precisavam. Era, me parece, do tempo da construção da resistência. Falarei mais sobre isso na semana que vem.
Por agora, voltando aos amigos: se você diz pra sua amiga: "Miga, esse cara tá te fazendo mal, te dou uma semana pra largar dele porque não aguento te ver desse jeito, se não largar dele tu não olha mais pra minha cara", só te digo uma coisa: ela conhece bem esse seu joguinho de manipulação, essa brincadeira de "só tem meu amor se você fizer o que eu acho que você tem que fazer" é exatamente o que o namorado abusador dela faz. E ele faz melhor que você. 
Então... Se você ama sua amiga... Respeita ela. Você pode fazer um pouco mais que isso. Vai te doer. Você vai ver ela se despedaçar e voltar pro cara algumas vezes, talvez. E, sim, você tem sim o direito de se afastar se não estiver dando conta. Na verdade eu ainda estou refletindo o que os amigos podem fazer pra ajudar. O que já entendi é que só a própria pessoa pode resolver. Os amigos só podem fortalecer o protagonista da história. Me parece que um bom caminho é estar perto, escutar a pessoa quando ela quiser falar, ter paciência com os desabafos e principalmente com os retrocessos (porque a pessoa num dia reconhecerá os abusos e no outro dia dirá que exagerou em tudo e que o namorado é a melhor pessoa que ela já encontrou na vida e que ela tem é sorte de estar com ele, mesmo que ela apanhe algumas vezes. E essa é a parte em que você, amiga, terá vontade de sacudir sua amiga, dar uma voadora nela e uns três tapas na cara, mas lembre-se: isso não é sobre você). Acredito (mas sempre posso estar errada) que sempre cabe marcar nossa posição) mas evitando fazendo o outro se sentir um imbecil, buscando uma comunicação não-violenta. Acredite: mesmo quando parece que ela não está escutando o que você diz, ela está. Então diga o que pensa. Tentando não agredi-la mais do que ela já está sendo agredida na relação abusiva que vive. Ela não precisa de julgamento, precisa de acolhida. Você pode dizer que não entende porque ela continua com aquele cara. Mas não esqueça de dizer que a ama assim mesmo. E que vai continuar amando. E que vai amar se ela resolver continuar com ele. E que vai amar se ela resolver deixá-lo. E que estará ao lado dela em qualquer decisão. E que ela não ficará sozinha. Isso importa muito mais do que parece. 
Até naqueles momentos em que ela chegar com a cara inchada e disser que bateu com a cara no armário ou caiu escada abaixo. Ela não precisa dizer diretamente. Mesmo assim, olhar firme nos olhos dela e dizer "estou com você, e te apoiarei se você tomar a decisão de fazer diferente" pode ser decisivo. 
Faça isso. Pode fazer diferença na vida das mulheres que te rodeiam. 
Na próxima semana, vamos conversar diretamente com quem vive a situação de abuso.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Família tradicional ou não?



Hoje ao passear com a cachorra de um amigo. Me deparei com uma coisa ao lado do prédio dele que me lembrou uma conversa que tive com um conhecido e me fez refletir: As imagens aqui postadas refere-se a coisa que ao meu ver é de uma beleza impar. Pensa se você está a caminhar sobre uma selva de pedra, tudo é concreto. E depara -se com uma bela casa antiga portão baixo cercada de plantas e ao lado dela o contraste de muros altos placas de estabelecimentos comerciais e prédios eu fiquei inebriada e pensei como é lindo a resistência, o tradicional isso me remeteu a minha época de infância na baixada do Rio de janeiro, minha casa quintal imenso cheio de árvores minha família reunida num domingo no almoço pra logo depois ir a igreja. Sim, da saudade e hoje isso está destruído pela modernidade em alguns lares. Primos, irmãos , tios que mal tem o que conversar e eram inseparáveis na infância; havia tanto amor que mal podíamos correr livres que tinha um tio , avó ou os pais nos agarrando pra nos declarar amor, ou pra pedir que fossemos a venda comprar algo pra eles (rs - quem nunca!) Tive uma conversa com um conhecido uma vez e ele reclamava realmente disso, ele tinha uma certa razão. Agora olhem de novo para estas fotos, reparem nas rachaduras desta casa, reparem nesse mato alto, um tereno perigoso de se pisar, estes vidros quebrados e telhas que podem desmoronar a qualquer momento, não há segurança apesar da beleza ela existe pra ser uma bela lembrança para muitos, mas não da mais pra residir aí só será possível se houver uma reforma e a privacidade e a paz do lar comprometida pelos altos prédios a sua volta também não seria mais um lar agradável. Esta é uma bela imagem do que era as antigas famílias e que hoje se olharmos com olhos de adultos apesar da beleza esquecemos de muitas coisas, lembro muito bem que minha família era linda mas minha mãe, minhas tias eram uma mulheres que deviam obediência aos maridos, que eles a agrediam por qualquer coisa lembro de ter visto muitos olhos marejados e não entender, já que a poucas horas atras todos estavam rindo e bebendo juntos, que tinham voltado da igreja e estavam maravilhados com a presença de Deus, então por que minha mãe, minhas tias, primas estavam sempre de cabeça baixa a chorar a sentir medo ou com uma expressão de dor que eu jamais saberei qual era a origem , mas hoje posso imaginar graças as mulheres que criaram força para não mais sofrerem e graças aos relatos que ouvi de algumas destas mulheres de minha família. E eu abro mão desta beleza que é o tradicional, por que jamais vou querer uma beleza aparente sustentada a perigo, insegurança, medo e feridas como está bela e maltratada casa, como foi e pode ser ainda boa parte desta minha "família linda", que com certeza irão negar sua história ou se envergonhar dela, mas eu não eu quero que cada vez mais pessoas possam se conscientizar que a família tradicional não é este mar de rosas, família é lindo desde que tenha amor, respeito e companheirismo, família construída a base de submissão,e coação pela força física sobre os seus integrantes nada mais é que uma ilusão e deve ficar no passado e não mais existir. Que venha a reforma e que a família seja sustentada pelo amor e ao demostrar respeito e companheirismo aos seus, teremos um reunião de domingo realmente bela e digna e não mais falsas aparências. Ame as pessoas pelo que elas são não pelo que quer que elas sejam, amar o filho que decidiu ser médico, o tio que é militar, o primo que é campeão em algum esporte que casou trabalha muito tem filhos é fácil, Mas o filho que decidiu ser jardineiro, o filho que quer cuidar do lar, a prima que quer estudar e viajar pelo mundo, a tia mãe solteira que trabalha muito e sustenta a casa, o irmão campeão de concurso de moda, a tia campeã em esportes esses são decepções estes não foi pra isso que foram criados. são estes que nunca vão aparecer no almoço de domingo e São estes a maioria de nós adultos das atuais gerações a família tradicional 'destruída'.

_Keila Almeida_
(E para quem não entendeu, não é um texto contra homens embora a maioria das famílias que tenham sofrido violência de qualquer tipo parte deles, não é um texto contra família é apenas uma conscientização do que muitos adultos de hoje que julgam uma perda tentem refletir se realmente querem que seus entes queridos voltem a sofrer ou se não esta na hora de parar de insistir e mudar isto para algo melhor e autêntico)